01.02.2020

Abracadabra! Carnaval da "magia" e "fantasia" a começar em Torres Vedras...

Está oficialmente aberta a "magia" carnavalesca em Torres Vedras!  

 

Tal aconteceu ao início da noite, com a inauguração do Monumento do Carnaval de Torres Vedras 2020, o qual tem como tema, recorde-se, "Magia e Fantasia".

Eram cerca das 18h30 quando na praça do Mercado Municipal começaram a ecoar os primeiros sons "carnavalescos", a cargo do grupo de percussão torriense Ribombar, local para onde começou a ocorrer vasta "populaça foliona", muita dela já mascarada. Cabeçudos, membros da Real Confraria do Carnaval de Torres e elementos de grupos de mascarados da transata edição do Carnaval de Torres Vedras também já se encontravam no local, onde entretanto chegou, igualmente com o som das típicas melodias carnavalescas torrienses, o grupo musical OSGA, acompanhado por Fidalgos e elementos da associação Ministros e Matrafonas.

Da Avenida Tenente Coronel João Luís de Moura arrancou o cortejo carnavalesco, composto pela sua típica "fauna", que rumou ao "coração" da Cidade, à Praça da República, onde o aguardava já uma vasta multidão ávida da folia pela qual anseia durante quase todo o ano. 

Foi aí que vários representantes de entidades envolvidas na organização do Carnaval de Torres Vedras foram fazendo uso da palavra, de entre os quais o presidente da Câmara Municipal, que confessou o facto da edição de 2020 do evento ser para si especial, já que este ano perfaz um quarto de século que iniciou a sua colaboração no "Carnaval mais português de Portugal". Na sua intervenção, Carlos Bernardes aproveitou para agradecer o empenho da empresa que produziu o Monumento do Carnaval de Torres Vedras 2020, a qual, nas suas palavras, "trabalhou 24 sobre 24 horas, mais do que as urgências pediátricas do Hospital de Torres Vedras", agradecendo às associações carnavalescas locais (sendo neste particular de referir também a presença dos grupos carnavalescos Lúmbias, Marias Cachuchas e Sacadegas) o seu contributo para o Carnaval de Torres Vedras, bem como aqueles que de uma forma anónima dão o seu melhor para o sucesso deste evento.

Uma "chuva de cores" inaugurou o Carnaval da "magia e fantasia", sob o olhar atento de "ilustres convidados" do Carnaval de Torres, que compõe o respetivo monumento, intitulado "Abracadabra! Acorda Zé!".

Nele vive "Maléfica, Mestre do Mal, num pacífico reino na floresta, até ao dia em que é ameaçada a harmonia da região. 

Escondidos entre as torres do seu castelo, Maléfica e os seus companheiros corvo e dragão, estão completamente incrédulos e aterrorizados com o panorama atual nacional e internacional. 

O Grande Feiticeiro Costa, dotado de todo o seu poder, conhecimento e sendo um ilustre sábio em práticas de encantamentos e alquimia, usa as suas várias poções mágicas - IMI, IS, IRS, IVA, IRC, ISP, IUC - combinando-as e misturando-as no seu grande caldeirão, seguindo a velha receita do conceituado livro de encantamentos "Como carregar mais nos Impostos em Portugal".

Preparando a mistura com arte e manha, o resultado não é sempre certo... e raramente o acertado”. Rui Rio, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa caem nesse caldeirão de “magia rosa” onde se pode ainda observar placas representativas do PAN, Livre, Iniciativa Liberal e Chega. Entretanto, num local recôndito, aparece de súbito “um ser obscuro, estranho e indecifrável que surge à espera da sua derradeira oportunidade – Santana Gollum. Toda a vida desta criatura gira em torno da sua preciosa Aliança”. 

A referida mistura de poções resulta num enchimento dos cofres do Estado, sendo essa riqueza, rapidamente e por uso de uma magia pouco clara, aliás, até negra, injetada na Lamparina encantada (magia essa já utilizada por todos os feiticeiros governantes anteriores). É então que “o aprendiz de feiticeiro Mário Centeno, com toda a sua perícia, injeta os frutos do nosso trabalho na Banca recorrendo a encantamentos desvairados. 

Assim surge O Génio capitalista da Lamparina, astuto e ardiloso, sempre à disponibilidade de todos, concedendo qualquer desejo e crédito, mas a troca de elevados custos.

No país das maravilhas, a princesa Zé continua a querer estar adormecida, impotente a tão forte magia, à espera de melhores dias, e de um cavaleiro encantado que lhe alivie a carga fiscal. Tal estado deveu-se a um poderoso feitiço de hipnose coletiva".   

Já "em redor do torreão sul do castelo, disputa-se a Liga Mágica Nos num renhido jogo de Quidditch. Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira frenéticos, mostram a sua admirável habilidade em voar alto, mas sem grandes mestrias e algo descoordenados... Entre movimentos mais arriscados, tentam até à exaustão agarrar a tão cobiçada Taça (que os árbitros lhes valham...). Frederico Varandas também estava nesta disputa, mas uma vez mais acontece um acidente de percurso, espetando-se contra o chão, abrindo um buraco bem fundo.   

Cris R7 é o maior mágico de sempre do futebol. Mas nem sempre, mesmo aos melhores, os truques correm bem. Qual não é o seu espanto, quando em vez de sacar mais uma bola de ouro da cartola, saca um coelho Messi com uma bola de Ouro! O puto João Félix, já sob os holofotes do espetáculo, aprende tudo o que pode com Cris R7, cobiçando a tão especial bola de ouro. 

O derradeiro espetáculo de magia surge aos olhares do público mais desconfiado. São apresentados truques de ilusionismo, desempenhados pelas mais prestigiadas figuras.

O admirável Joe B faz aparecer e desaparecer obras de arte, fundações, associações, entre outros truques manhosos. 

Ricardo Salgfield, esplêndido mágico com uma carreira admirável, fez desaparecer em minutos e para sempre um grande Banco.

E por último, mas não descartando todo o seu mérito, Socratini, o venerável mestre escapista. Mostra todo o seu incrível talento e perícia nos seus truques, conseguindo proezas inacreditáveis com mil e um processos amarrados e desamarrados. Processos esses que acabam sempre por desaparecer por completo da superfície terrestre, tal como ele próprio".

Observando de alto este cenário, e presente em vários locais do Monumento, está o “omnipresente” presidente da República, que observa, absorto e impotente, o descrito espetáculo de “Magia & Fantasia”. 

O último quadro do Monumento "não deve ser apreciado por pessoas mais suscetíveis, dada a intensidade dramática e violência explícita que nele se exibe”. 

Neste quadro pode observar-se Trump, no seu Trono de Ferro, ostentando os seus ornamentos de Chefe da Tribo Yankee. A fada madrinha deste feiticeiro é o Ku Klux Klan, perito a aconselhar a destruição pelas formas mais drásticas e violentas, nomeadamente a da comunidade negra e hispânica.

Ao lado, num plano mais baixo, pode-se observar Kim Jong-un, que é orientado pela fada madrinha Hitler, estando a praticar voodoo com Trump. 

Do outro lado de Trump está Bolsonaro, sentado numa cadeira de madeira amazónica, a ser inspirado pela sua fada madrinha Lucifer para destruir o “pulmão” do planeta.

Por fim, atrás do Chefe da Tribo Yankee pode-se observar Putin, numa pose escultural, com uma pele de urso na cabeça, representando a democracia “musculada” russa. 

E é assim, com a sua típica sátira político-social, que está aberta mais uma edição do Carnaval de Torres Vedras. Durante fevereiro, Torres Vedras vai ser o "epicentro" da "folia" em Portugal. Este ano ainda com mais "magia e fantasia"...